terça-feira, 2 de julho de 2013

Eu Li : A Menina Mais Linda Do Mundo


Via Welcome April 


Lembro-me como se fosse ontem. Apesar do frio ardente, a noite estava linda. Eu estava linda porquê eu me sentia assim. Passei um batom mais forte e pela primeira vez, meu traço de delineador ficou impecável. Aquela seria a minha noite. Iria curtir um show com os meus amigos, a banda nem era das minhas prediletas, mas e daí? Eu queria sair e me divertir. Apenas.

Eu namorava à distância um garoto que me fazia perder o ar sempre que ouvia sua voz ao telefone. Era ele, por ele que eu queria juntar uma grana e comprar uma passagem só de ida pra vê-lo. Mas depois daquela noite, isso nunca aconteceria. Pois bem, me arrumei, me olhei no espelho e vi a garota mais linda e feliz do mundo. O reflexo sorria de volta para mim e isso me fazia bem. Mandei uma mensagem para ele dizendo que já estava indo, e ele todo fofo apenas respondeu “eu te amo, e sei que nesse show vai ter muitos meninos, só lembra que eu te amo, e não deixe que eles deem em cima de você”.

Alguns minutos depois e eu já havia encontrado o pessoal. A cidade aqui é pequena, e pareceu que toda a população estava lá, se divertindo ao som da musica. Que delícia. Quando encontrei mais algumas amigas no local do show, elas não acreditaram , nunca me viram tão bem arrumada e produzida. Acho que eu realmente estava... Linda. Não que isso fosse importante, mas era a primeira vez que eu me senti assim. Era a primeira vez que eu me sentia.

O show começou e resolvemos ir pra perto do palco, o que foi meio impossível pela quantidade de fãs fanáticos pela banda. Resolvi mandar uma foto para aquele que naquele momento estava prestes a me ferir de verdade. Depois que mandei a tal foto, ele ficou estranho. Começou a me chamar pelo nome, o que não fazia normalmente. Por sms, ele apenas me dizia que depois conversávamos, pedia para que eu curtisse o show. Mas eu não consegui. Não me aquietei até ele dizer o seguinte: “não sei se eu quero namorar agora”. Pronto, foi a hora em que, pela primeira vez, senti meu peito murchar, ficar pequeno e apertar meu coração. Eu não entendia o motivo. Mas fiquei na minha, não comentei com ninguém aquela sensação estranha e sufocante. Guardei pra mim enquanto eu sorria para os meus amigos.

Horas depois, me humilhei mais uma vez, uma última mensagem: “Mas Bruno, por quê? Por que agora? O que aconteceu?” E a resposta foi mais curta do que eu pensei que fosse. Sem explicações, ele apenas respondeu: “Acontece que eu não quero namorar uma garota feia”. Aquela sensação do peito esmagando o coração voltara, e eu não tinha pra onde correr, pois estava cercada da multidão do show. Mas eu me sentia sozinha, como se apenas eu estive ali, não consegui ouvir mais nada. Não queria ouvir mais nada. Queria apenas ir pra casa, apoiar a cabeça no travesseiro e chorar. Aquela foto. Maldita foto. Acreditei em todo mundo. Acreditei no reflexo que eu via no espelho e me fodi. Perdi o cara que eu pensava que me amava por não ser bonita. O show não parou pra sentir a minha dor. Ainda bem. Essa sensação durou apenas uma musica. Uma. E ela dizia o seguinte: hoje muitos choram, mas não desistem de viver. Coincidência? Olha a musica que toca. É pra terminar de foder com o meu psicológico.

Mas eu continuei ali, de pé. Segurei todas as lágrimas teimosas que queriam por que queriam saltar dos meus olhos. Deixei aquela musica entrar nos meus ouvidos. Ergui a cabeça e lembrei-me de quando eu me odiava por ser zoada no colégio. Chamavam-me de magrela, de esquisita. Mas tudo bem, eu preferiria as brincadeiras de mau caráter a aquela sensação. Mil vezes ser chamada de magrela do que perder alguém por um motivo tão superficial. Lembrei-me do pedido de namoro que foi por telefone, e pela burrice de char que daria certo. Olhando as mensagens antigas, nem parecia que eu sofreria. Mas tudo bem iria passar, tinha que passar. E passou. Cheguei em casa e chorei. A dor foi junto com as lágrimas e o rímel todo borrado. Mas eu ainda lembro, porém já não dói mais, não me prejudica nem me afeta mais. Foi paixonite de internet, duraram quatro meses e acabou. Não era pra ser mesmo.
A menina mais linda do mundo, sou eu. A menina mais linda do mundo tá aqui, dentro de mim. Pois sozinha, essa menina se levantou. Olhou pra frente e seguiu. Isso é ser linda. É saber levantar depois de cair e limpar os joelhos ralados. Ser linda não é ter um rosto perfeito, um cabelo perfeito. Eu fui forte, até mais do que eu pensei que pudesse ser. E eu acho isso lindo. Você pode até achar que é besteira minha, mas pra quem já veio com o psicológico frágil desde a infância, aquilo doeu. Entrou na minha cabeça e me fez sangrar por dentro. Mas e daí? Agora eu uso batom vermelho sem medo e um saltão que me deixa mais alta ainda. Como disse Caio F. Abreu uma vez: “Vai passar, prometo que vai. Eu não minto”.

Autor : 
Marielen Romanna tem 17 anos. Também é colaboradora no blog Beleza em post. Um dia, vai pintar o cabelo de azul e fazer várias tatuagens. Voa Mari.